quarta-feira, 18 de abril de 2012

Berçário I - Já estamos almoçando

Esta semana começou diferente para nós. Estamos almoçando na escola. Que delícia !!! Papas, caldo de feijão, purê, sopa, uma diversidade de pratos, conforme a aceitação de cada um. A Cecília e o Cauã, se deliciam com a sopinha, deliciosa feita com todo o carinho pela nossa amiga Leonilda. O Cauã não rejeita nada, mas a Cecília reclama dos pedacinhos de carne ou alguma verdura que é colocada. Precisamos separar ou disfarçar para acostumar-se com as diferentes consistências dos alimentos. O Heitor come sopinha leve, ainda está experimentando os sabores mas manda ver. A Rafaelly e o Elias, há pouco começaram a degustar os alimentos e ainda comem alguns legumes só com caldo de feijão, mas para o Elias, o Leite da mamãe é melhor, faz cara feia e devolve tudo o que oferecemos, continua resistindo ao suco, às frutas e à sopa. Já a Rafa, tudo que é oferecido prova com gosto e come direitinho, ainda reclama se demoramos... O Gabriel, nosso mascote, apesar de ter apenas três meses já está comendo papinhas salgadas. O purê de batata ele adora e hoje lhe oferecemos purê de moranga, também adorou. Mas a mamadeira com o leite da mamãe é ainda o seu alimento preferido. Infelizmente nem todas as mamães podem ficar com seus bebês até completarem seis meses, oferecendo apenas o leite materno, cientificamente comprovado o melhor alimento.

Alimentação dos bebês


O que muda na alimentação do bebê 

O período entre os 6 e os 9 meses é cheio de mudanças na alimentação do bebê. A grande novidade desta fase é que só o leite sozinho, seja o materno ou a fórmula em pó, passa a não dar mais conta de todas as necessidades nutricionais que o bebê tem para continuar crescendo forte e saudável. Chegou a hora de comer comida também! 

A partir dos 6 meses, o sistema digestivo já está mais maduro, e o organismo é mais forte para enfrentar eventuais infecções ou alergias causadas por novos alimentos. 

Aos poucos, o bebê vai começar a comer frutas amassadas e raspadas e gradativamente passará para as papinhas salgadas, primeiro no almoço e depois no jantar. Tudo sem pressa, com muita paciência, mas também com persistência. 

O leite materno, no entanto, continua a ser um alimento importante e reconfortante para o bebê, e, segundo o governo brasileiro e a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ideal é que seja oferecido até os 2 anos de idade ou mais. 

quarta-feira, 21 de março de 2012

Mais sobre a adaptação


O período de adaptação neste ano tem tido uma dinâmica diferenciada, em função da falta de pessoal. A escola optou por iniciar com a turma de berçário I pelo período da manhã, para irmos encaminhando as adaptações. Como ficamos entre duas e são muitos alunos com idades de 2 meses a 9 meses, fizemos uma escala, sendo que cada grupo fica duas horas.
Até hoje, apenas estranharam e estão fazendo adaptação  os alunos Cauã, Davi e Cecília. Já obtivemos progressos com a Cecília, que no dia de hoje não chorou.  Como vinha chorando muito, combinamos com a mãe reduzir o tempo para meia hora. Foi uma boa estratégia,  pois  ontem chorou pouco e hoje mostrou-se mais à vontade, ficando no tapete, brincando com os brinquedos e mamando. Neste período tivemos dificuldade inclusive com o mamá que a Cecília não estava aceitando.
Com o Cauã propusemos outra estratégia, mudar o horário da adaptação, que a princípio era as 9 e 30. Solicitamos que a mamãe o trouxesse às 8 horas pois o aluno estava dormindo na escola e isso dificulta a criação de vínculos com as profes. Mas a estratégia não foi aprovada. Da mesma forma, o Cauã chorou, ficando só no colo das educadoras e dormindo após chorar. Apesar do choro avaliamos progresso na sua adaptação pois tem ficado menos tempo chorando, já aceita brincar por pequenos períodos no tapete, principalmente com balão e aceita o suco e a fruta quando lhe oferecemos. Particularmente no dia de hoje, o Cauã ficou muito bem, choramingou ao chegar  às 9 e meia e dormiu. Ao acordar brincou com a professora com os móbiles, com balão, sentou-se no tapete acompanhado e explorou alguns brinquedos. Não foi por muito tempo, mas cada progresso comemoramos com muita alegria. Só chorou forte quando viu a mamãe, como um desabafo de saudade.

sábado, 17 de março de 2012

  O COMEÇO NA PRÉ ESCOLA - Texto Adriana Tavares

Ao entrar na pré-escola, a criança vive um momento delicado, pois tem que aprender, de uma só vez, a afastar-se do convívio familiar e a criar novas relações afetivas. A emoção das primeiras separações é muito forte. Ela se pergunta: "Por que tenho que vir para cá?" "A professora vai cuidar de mim?" "E se minha mãe não voltar?" Os pais também sentem. "Será que meu filho vai ficar bem?"

Para que essa primeira separação não seja muito sofrida, as boas pré-escolas propõem um programa de adaptação que ajuda a criança a fazer amizades e a entrar aos poucos na rotina da classe. Geralmente, o primeiro passo é uma visita à escola com o filho antes do início das aulas. Depois, a mãe, o pai ou, quando não for possível, a babá ou a avó deve ficar com a criança na escola por um certo período. Esse tempo vai diminuindo até que ela se sinta segura, crie vínculos de afeto com a professora e conheça o espaço e os colegas. Só assim ela vai estar à vontade para brincar, participar e aprender. O tempo de adaptação varia muito. As crianças mais tímidas e as com menos de 3 anos podem precisar de duas ou até de três semanas.

Algumas dicas:
Não fique perguntando à criança se ela quer ir à escola. Ela não é capaz de decidir sozinha. É preciso que os pais estejam muito seguros de sua opção, caso contrário a criança vai perceber.

Procure matricular seu filho no início do ano ou do semestre. Assim ele não será o único aluno novo no grupo. Para encorajá-lo, deixe-o levar seu paninho ou brinquedo preferido. É uma maneira de manter o vínculo com sua casa.

Evite colocá-lo na escola pela primeira vez num momento que coincida com dificuldades ou transformações na família, como morte de alguém querido, divórcio dos pais, nascimento de um irmão ou mudança de casa. Nessas horas, seu filho precisa estar junto de você.

Mesmo depois de uma familiarização bem-sucedida é comum haver retrocessos. Após uma semana sem a mãe na escola, muitas vezes a criança fica triste, agressiva ou não participa das atividades em grupo. Também pode apresentar comportamento regressivo em casa, como chupar o dedo ou fazer xixi na cama. É difícil saber ao certo por que isso ocorre. Talvez uma briga com amiguinhos ou a ausência da professora por um dia. Busque informações na escola o quanto antes e combine uma ação conjunta com a professora.

É importante lembrar que a separação é um processo que gera sentimentos que precisam ser entendidos. Os pais não devem se sentir envergonhados se o filho não aceita a nova situação com a mesma facilidade de outras crianças. Cada um pode ter uma reação diferente em momentos de mudanças. Se ele não tiver se adaptado após três semanas, deve-se considerar a possibilidade de adiar o ingresso na escola por seis meses ou um ano.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Primeiro dia de Aula

Hoje foi meu primeiro dia de aula com minha turma de Berçário I. Assim como para os alunos, para mim também foi um dia de adaptação. Tenho como monitora a amiga Débora Rosa, profissional dedicada e comprometida com a educação, que divide comigo esta responsabilidade.
Fizemos uma escala, já prevendo choros e estranhamentos.
O primeiro a chegar foi o Heitor. Olhos assustados, cabelo arrepiado, muito sério, observou tudo e não chorou. Aceitou os brinquedos que lhe oferecemos e manteve-se tranquilo durante a hora em que estivemos juntos.
Logo em seguida chegou a Cecília, olhar maroto, atenta a tudo. Logo se envolveu com os brinquedos que oferecemos, mas a cada barulhinho vindo do lado da porta, esticava-se toda e ficava procurando alguém conhecido, assustou-se com o choro do colega Cauã e também chorou. Dormiu um soninho rápido antes de ir pra casa com a mamãe que ficou na pracinha aguardando para levá-la.
A Rafaelly foi a mais tranquila, chegou, sentou-se junto aos demais, brincou, comeu fruta, dormiu, enfim não importou-se nem um pouco com o choro dos outros.
O Cauã chegou no carrinho e parecia tranquilo. A mamãe entrou na sala, conversou um pouquinho e saiu. resolvi pegá-lo no colo e levar para brincar com os colegas, mas minha intenção não foi bem interpretada, ele começou a chorar desesperado. E vai embalo, conversa, brinquedo, troca de colo, mas nada. A Débora tomou conta, queria levá-lo pra rua mas sozinhas, não tinha como, e ele chorou... chorou e cansou até que dormiu... e ao acordar ficou mais tranquilo, tomou até um suco. E logo foi embora  com a mamãe que já estava de coração apertado.
Neste meio tempo chegou o Davi, olhar desconfiado, cabelos ruivos pele branquinha... parecia muito tranquilo. Olhou os brinquedos dos colegas, começou a fazer beicinho e acompanhou o Cauã num choreiro só. Foi difícil acalmar. Se aconchegou no meu colo, depois de muito argumento e pegou no sono, soluçando.
Por dez  minutos ficamos, eu e a Débora, refazendo as energias, tomamos uma aguinha e  acorda o Davi. Assim como o Cauã, se acalentou no meu colo e ficamos brincando até a hora que a vovó o levou.  
Por hoje chega.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Tempo demorante

Como a maioria das manhãs, chegando em cima da hora na escola e preocupada em não encontrar o portão fechado, a mãe sugeriu ao filho:
- Desce do carro e segue para a entrada da escola, porque se tu me esperar, até que eu estacione e recolha o material, o portão poderá estar fechado.
O menino imediatamente devolveu:
- Claro né, porque velha como tu tá, o teu tempo é bem demorante mesmo...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

EDUCAÇÃO INFANTIL, DIVERSIDADE E COTIDIANO

    A Educação infantil, primeira etapa da educação básica, teve sua legitimidade  reconhecida na Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº 9394, promulgada em 20 de dezembro de 1996.
A integração de educação Infantil, no âmbito da Educação Básica, como direito das crianças de 0 a 6 anos e suas famílias, dever do Estado e da sociedade civil, é fruto de muitas lutas desenvolvidas por educadores e alguns segmentos da sociedade nos últimos anos.
Infelizmente, a preocupação com o bem estar e o desenvolvimento global é algo recente. Philipe Ariès, em sua obra: “A História Social da Criança e da família”(1978), mostra como o conceito de criança tem evoluído através dos séculos e oscilando entre os pólos que ora o consideram um “bibelot” ou “bichinho de estimação” ora num” adulto em miniatura”, passível de encargos e abusos como os da negligência, do trabalho precoce e da exploração  sexual.
Zabalza (1998), brilhantemente ilustra a história da infância dividindo-a em três momentos que identifica como “primeira, segunda e terceira identidades”.
A primeira identidade refere-se à “criança-adulto” onde a infância é negada, o que ocorreu no período entre a idade média e o início da idade moderna.
A criança, desde que era desmamada, era considerada companheira natural do adulto. Aos sete anos recebia sua carteira de identidade jurídica que a reconhecia como “capaz de entender e querer”. Sob este aspecto, a criança poderá ser incriminada penalmente, trabalhar para seu sustento, ser deslocada de sua família e colocada como aprendiz para ser educado.
A família era uma realidade moral e social, mais do que sentimental. O movimento da vida social envolvia adultos e crianças, não dando tempo à ninguém para a solidão e a intimidade.
Neste período, a criança não aparece nem como centro da sociedade nem como centro da família, mas está presente onde quer que haja pessoas se encontrando ou mantendo qualquer tipo de relação. A educação e a instrução eram ministradas por todos: pais, mestres, companheiros de oficina, vizinhos, comerciantes etc.
A idéia de criança-mistério, alimentada pela crença que nela escondia-se uma natureza sagrada, que o homem não podia profanar , e a imagem da criança como “humanidade na lista de espera” fez com que o mundo adulto a jogasse e abandonasse no mundo a fim de “aprender”, sem mediações nem intervenções, fazendo-a viver como um “adulto em miniatura”.
A segunda identidade caracteriza a “criança-filho-adulto” também conhecida como a infância institucionalizada.
No século XVIII, ao surgimento da família moderna, a infância torna-se o epicentro do interesse dos adultos. O controle se torna mais efetivo e, quando sair do controle da família, a  criança entrará no controle das instituições, no entanto, a importância que lhe é dada na família, é fruto de uma nova organização sócio-cultural, muito mais que uma descoberta da criança.
A escola passa a substituir o sistema de aprendiz tradicional e introduz uma função mais específica, dirigida à inculturação e à socialização. À família, cabe o compromisso com a educação afetiva e ético-comportamental.
Nesta perspectiva só é possível ser criança na condição de filho x aluno, numa estrutura de relações de propriedade e poder, sendo negada à infância a possibilidade de situar-se autonomamente, criando-se a criança padronizada, que segue clichês, homogeneizada.
A terceira identidade é atribuída à criança “sujeito-social”, a infância de hoje que conseguiu, finalmente, desembarcar na praia da liberação – emancipação, que despiu a pesada armadura da privatização familiar e do isolamento escolar, obteve-se enfim, o reencontro da infância.
Zabalza, a respeito da criança sujeito social, afirma:
“A etapa histórica que estamos vivendo, fortemente marcada pela “transformação” tecnológica e pela mudança ético-social, cumpre todos os requisitos para tornar efetiva a conquista do último salto na educação da criança, legitimando-a finalmente como figura-social, como sujeito de direitos enquanto sujeito social” (ZABALZA,1998, p.68).
No Brasil, este marco ocorreu com a Constituição Federal de 1988, propondo uma visão de criança como sujeito de direitos. Esses direitos foram regulamentados no Estatuto da criança e do Adolescente (Lei Federal nº 8.969/90), explicitada uma concepção da criança cidadã “que significa entendê-las como sujeitos de direitos, que merecem proteção integral, por que se encontram em condições especiais de desenvolvimento” (MÜLLER, 1997; in CADERNOS PEDAGÓGICOS PREF. MUN. PORTO ALEGRE,p.13)

No entanto, o fato de termos uma legislação específica para a infância, não tem garantido que direitos sejam respeitados. A discriminação racial, a falta de suporte para portadores de necessidades especiais, as questões de gêneros, enfim a garantia ao respeito à diversidade,  ainda é um caminho a ser percorrido.
A educação de crianças dos Zero aos cinco anos,  com foco na diversidade é um desafio que exige muita sensibilidade e conhecimento. Todos os  seres humanos são únicos , e não são apenas as diferenças de cultura, de gênero ou as chamadas necessidades especiais que determinam tal unicidade. No entanto, apesar de esse conceito já fazer parte do senso comum, lidar com a diversidade na escola  e no cotidiano ainda é um tabu para muitos pais e educadores.
Infância, gênero, sexualidade têm suscitado várias inquietações e infinitas perguntas. Trabalhar com as diferenças e com os diferentes traz cotidianamente desafios para pais e professores.
Tradicionalmente a escola tem sido marcada em sua organização por práticas de critérios seletivos, baseados em concepções homogeneizadoras,  que resultam na rotulação de alguns alunos. Percebe-se isso através da abordagem curricular, que não prevê as diferenças culturais, de gênero, de aprendizagem, enfim, a diversa gama de individualidades.
Segundo a apostila produzida pela secretaria de educação especial- (MEC,2007, p.59):
 “ ...o não reconhecimento da diversidade como um recurso existente na escola e o ciclo constituído pela rotulação, discriminação e exclusão do estudante, contribuiu para aprofundar as desigualdades educacionais ao invés de combatê-las. A fim de equiparar as oportunidades para todos, os sistemas educacionais precisam promover uma reforma profunda, cuja característica central deve ser a flexibilização do conteúdo curricular e o modo como o currículo é incorporado à atividade escolar"

Nesta perspectiva, objetivamos com esta ferramenta digital, despertar nos professores e pais o respeito à diversidade, sendo desenvolvida desde a educação infantil, num trabalho diário e contínuo. 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
ARIÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. Rio de Janeiro:  Zahar,1978.
BRASIL. Lei 9394, de 1996. Dispõe sobre a lei de diretrizes e bases e dá outras providências. Brasília, 1996.
DUCK, Cynthia. Educar na Diversidade: material de formação docente. Brasília: Mec, Seesp, 2007.
MÜLLER, Verônica Regina. A Criança como Sujeito de Direitos. Texto do Seminário Nacional. Maringá (PR): 1998.
PORTO ALEGRE. Prefeitura Municipal. Proposta Pedagógica de Educação Infantil. (Cadernos Pedagógicos 15). 2. ed. Porto Alegre: rev. e ampliada.
PÁTIO, Educação Infantil - revista. ano VI,nº 16- Artes Médicas, março/junho 2008.
ZABALZA, Miguel A. Qualidade em Educação Infantil. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998